sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sobre a Grande Paixão

Dias assim me fazem recordar a minha infância, da minha avó... da família toda junta na praia passando o feriadão. Numa dessas vezes a sexta-feira estava chuvosa, éramos criança e minha avó cuidava da gente. Ela dizia: Não pode comer, não pode tomar banho, não pode rir... Respeite minha filha o sofrimento do Nosso Senhor. Era uma "tristeza!", da varanda víamos outras crianças na praia. Uma delas cortou o pé e a Vó prontamente disse que tinha sido castigo.
Minha avó que amo e respeito muito conservava a tradição, para ela tudo isso é verdade. Mas muito aprendemos com ela, com nossos tios. Sabia que a flor do maracujá é conhecida como Flor da Paixão? Tem relação com a Paixão de Cristo! Não lembro da história... Mas sempre que vir esta flor, vou lembrar de minha avó, de minha tia, de minha infância, da alegria de ter a família unida e do grande sacrifício de Amor que a História conta.
Hoje não seguimos a risca toda a tradição, porém faço questão de parar e refletir... O que realmente importa nesta vida? O que faz tudo valer a pena? O que nos torna dignos, honestos, íntegros? Para mim é o Amor. Que se estende além das paredes de nossas casas e alcança lugares que nem imaginamos ir.
Paz a todos!

FELIZ PÁSCOA.




Flor-da-Paixão


"A flor é o mistério único das flores. Tem o tamanho de uma grande rosa e, neste belo campo, formou a natureza como um teatro dos mistérios da redenção do mundo. Lançou por fundamento cinco folhas mais grossas, ao exterior verdes, no interior rosadas; sobre estas, postas em cruz, outras cinco púrpuras, todas a uma e outra parte. E logo deste como tono sangüíneo, vai armando um quase pavilhão feito de uns semelhantes a fios de roxo, com mistura de branco. 


Outros lhe chamavam coroa, outros molhos de açoites aberto, e tudo vem a ser. No meio deste pavilhão, ou coroa, ou molho, se vê levantada uma coluna branca, como de mármore, redonda, quase feita ao torno e rematada por uma preciosa maçã ou bola, que tira o ovalado. Do remate desta coluna nascem cinco quase expressas chagas, distintas todas e penduradas cada qual do seu fio, tão perfeitas que parece as não poderia pintar noutra forma o mais destro pintor: se não que, em lugar de sangue, tem por cima um como pó subtil, ao qual se aplicais o dedo, fica nele pintada a mesma chaga, formada de pó, como com tinta se poderia formar. 


Sobre a bola ovada do remate, se vêem três cravos perfeitíssimos, as pontas na bola, os corpos e cabeças no ar; mais cuidareis que foram ali pregados de indústria, se a experiência vos não mostrara o contrário. A esta flor por isso chamam da paixão, porque mostra aos homens os principais instrumentos dela, que são: coroa, coluna, açoite, cravos, chagas. É flor que vive com sol e morre com ele; o mesmo é sepultar-se o sol, que fazê-lo sepulcro daquele pavilhão ou coroa, já então cor de luto e sepultar nele os instrumentos da Paixão sobreditos, que, nascido o sol, torna a ostentar ao mundo." (LOZANO)

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